Tarifaço dos EUA: o que é, como funciona e o que vem a seguir

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A tarifa de 25% dos Estados Unidos e o prazo de crédito do Plano Brasil Soberano, que termina hoje, são só o início de um processo que segue nos próximos meses. Entenda o cenário e o que sua empresa deve acompanhar a partir de agora. 

 

Tarifaço é o nome que o mercado deu às tarifas adicionais que os Estados Unidos aplicam a produtos brasileiros desde 2025. Hoje, 22 de julho de 2026, a tarifa de 25% está oficialmente em vigor, e o governo brasileiro amplia, em paralelo, os mecanismos de apoio a exportadores dentro do Plano Brasil Soberano. 

O crédito do BNDES sob a Medida Provisória 1.345/2026 tem prazo de contratação até hoje. Mas essa data é só um capítulo de um processo mais longo: o Reintegra ampliado segue até dezembro, a prorrogação de tributos federais tem calendário próprio, e uma segunda tarifa de até 12,5% ainda está em avaliação. 

Este artigo explica o que é o tarifaço, como ele mudou em 2026, e o que sua empresa deve acompanhar e planejar dali para frente, independentemente do resultado do crédito de hoje. 

O que é o tarifaço e como ele funciona? 

O tarifaço atual tem uma origem jurídica diferente da tarifa de até 50% anunciada em 2025. Naquele momento, o governo americano usava a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) como base legal para taxar produtos brasileiros. 

De onde vem a tarifa de 25%? 

Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou a base legal da IEEPA, e o regime tarifário passou a se apoiar na Seção 301 e na Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, mecanismos com fundamento jurídico mais consolidado e mais difíceis de reverter por via judicial. 

Segundo o painel oficial da CNI, a sobretaxa atinge US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a 26,2% de tudo que o país vende aos Estados Unidos. 

O que ainda pode mudar 

Uma segunda sobretaxa, de até 12,5% adicionais, está em avaliação com base em investigação da Seção 301 sobre fiscalização do trabalho forçado. Se confirmada, a tarifa total sobre parte dos produtos brasileiros pode chegar a 37,5%. 

Para o planejamento financeiro, o ponto relevante é que uma tarifa apoiada em instrumento jurídico mais sólido tende a durar mais tempo do que uma tarifa contestável judicialmente. Por isso, os mecanismos de mitigação disponíveis hoje importam mais do que esperar uma reversão. 

Como o governo está respondendo: o Plano Brasil Soberano 

O Plano Brasil Soberano nasceu em agosto de 2025, com R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações destinados a crédito para exportadores. Em março deste ano, a Medida Provisória 1.345/2026 retomou o plano com um aporte adicional de R$ 15 bilhões, ampliando o público beneficiário. 

A retomada de 2026 organiza o apoio em três frentes independentes: crédito via BNDES, Reintegra ampliado e prorrogação de tributos federais administrados pela Receita Federal. Qualificar para uma não qualifica automaticamente para as outras, cada uma tem regras e prazo próprios. 

Circular SUP/ADIG nº 60/2026-BNDES reduziu, em junho, o requisito mínimo de faturamento exportado de 5% para 1%, o que ampliou o número de empresas elegíveis. Vale registrar: é justamente a frente de crédito, entre as três, que tem a contratação limitada a hoje, 22 de julho, data final de vigência da MP 1.345/2026. 

Os próximos passos depois do prazo de hoje 

O prazo de hoje encerra apenas uma das três frentes do programa. O que sua empresa faz a partir de amanhã depende de qual situação se aplica. 

Se sua empresa já contratou ou ficou elegível ao crédito 

O passo seguinte é formalizar a operação junto à instituição financeira credenciada, acompanhando os prazos internos de análise informados pelo próprio banco. A elegibilidade não garante a contratação ela só garante a possibilidade de negociar. 

Se sua empresa não conseguiu contratar a tempo 

Reintegra ampliado, com alíquota de até 3,1% para médias e grandes exportadoras industriais e até 6% para pequenas empresas, segue disponível até dezembro de 2026 e não depende da mesma janela do crédito. A prorrogação de tributos federais também segue calendário próprio, vinculado ao vencimento original de cada guia, independentemente do desfecho do crédito de hoje. 

Para todas as empresas exportadoras, independentemente do crédito 

Vale mapear a exposição ao tarifaço, simular o impacto da tarifa atual e de uma eventual segunda tarifa na margem líquida, e revisar contratos e condições comerciais com clientes e fornecedores americanos antes que uma nova rodada de tarifas seja decidida. 

Também vale monitorar se o Congresso converte a Medida Provisória 1.345/2026 em lei, ou se o governo edita uma nova medida. Qualquer um dos dois cenários pode reabrir a janela de crédito nos próximos meses. 

O que acompanhar nos próximos meses 

Três marcos devem orientar o planejamento das empresas exportadoras a partir de agora. 

Final de julho de 2026: decisão do governo americano sobre a segunda tarifa de até 12,5% adicionais. 

Segundo semestre de 2026: tramitação da Medida Provisória 1.345/2026 no Congresso Nacional, que decide se as condições de crédito se tornam permanentes ou perdem validade. 

Dezembro de 2026: fim da vigência das condições ampliadas do Reintegra, o próximo prazo relevante para quem depende desse benefício. 

A visão da Alianzo sobre o tarifaço e o Plano Brasil Soberano 

A Alianzo acompanha o tarifaço desde o primeiro anúncio, em 2025, cruzando cada atualização normativa com o impacto real no caixa e na carga tributária de empresas exportadoras de médio e grande porte. 

O time de Tributos da Alianzo faz o diagnóstico tributário de exposição ao tarifaço, simula o impacto do Reintegra e de uma eventual segunda tarifa na margem líquida, e acompanha, junto à operação de BPO Contábil e Fiscal da empresa, os prazos que ainda estão por vir. 

O cenário do tarifaço não se resolve em um único prazo. Por isso a Alianzo acompanha o processo mês a mês, para que a empresa não precise decidir sob pressão a cada nova atualização normativa. 

Fale com nosso time de especialistas 

Ainda vale a pena buscar o crédito do Plano Brasil Soberano depois de hoje?

Só se o Congresso converter a Medida Provisória 1.345/2026 em lei ou se o governo editar uma nova medida com prazo próprio. Até lá, a via de crédito permanece fechada, mas o Reintegra ampliado e a prorrogação de tributos seguem disponíveis independentemente disso. 

A tarifa total sobre parte dos produtos brasileiros passaria a 37,5%. Isso reforça a importância de simular o impacto na margem antes da decisão, já que a base jurídica da tarifa atual é mais difícil de reverter judicialmente do que a de 2025.

Sim, se sua empresa fornece para uma exportadora impactada. O Plano Brasil Soberano cobre tanto exportadores diretos quanto fornecedores da cadeia produtiva, e o impacto de margem pode chegar indiretamente mesmo sem exportação direta. 

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